O artigo Correção Política e
biodiversidade: a crescente ameaça das “populações tradicionais” à Mata
Atlântica relata que a perda da biodiversidade não é algo novo, ocorre a mais
de 40.000 anos e com o rápido crescimento da população humana, consequentemente
cresceu o uso dos recursos naturais e alteração cada vez mais o ecossistema é
alterado.
Olmos e colaboradores, em
relação às populações tradicionais, defendem que o bom selvagem ecologicamente
correto é um mito levado a sério, sendo aceito como verdade no meio universitário
e incorporado pela mídia e opinião pública.
As populações tradicionais são
povos que habitam em áreas geográficas particulares, demonstrando, em graus
variados, uma ligação intensa com territórios ancestrais (Diegues 1996). Estes
povos, segundo Olmos e colaboradores, são grandes responsáveis pela degradação
da biodiversidade nas terras onde habitam, pois como qualquer ser humano, eles
também utilizam dos recursos naturais para sobreviverem e por consequência, são
grandes colaboradores da extinção de espécies da Mata Atlântica.
São maioria das populações
tradicionais os indígenas que em nome de suas crenças, costumes e tradições,
acabam por degradar o meio em que vivem. Essa população atribui o
desparecimento dos recursos naturais à fatores metafísicos e não aos seu
próprios hábitos. Desta forma não é favorável para conservação das Unidades de
Conservação que as populações permaneçam nestas, mas sejam transferidos para
áreas que não sejam áreas protegidas.
No artigo “Populações Tradicionais
e a Proteção dos Recursos Naturais, de Rinaldo Arruda, defende-se um cunho
social em relação à habitação das populações tradicionais nas UC”s. Nele destaca-se
que é possível interagir de forma efetiva essas populações com as unidades de
conservação, e que estas populações possuem um papel importante na preservação
ambiental.
São relatadas algumas questões
que nos mostram casos ilustrativos de desmandos e má gestão nas tentativas de
realizar a manutenção de populações tradicionais nos seus territórios. Devemos
ser cuidadosos ao julgar que essas populações estão propícias para preservar ou
destruir seus territórios em suas práticas sociais.
É preciso que, além do interesse
geral (seja ele qual for), é necessário considerar, como elemento central, as desigualdades
sociais e especificidades circunstanciais envolvidas. Arruda até questiona: Enfim não são essas populações
responsáveis até o presente pela conservação das áreas que agora tentamos
colocar sob a nosssa proteção legal?
Há de haver essa preocupação do uso dos
recursos naturais principalmente nas unidades de conservação visto que nelas
estão concentradas a maior parte dos recursos necessários à nossa
sobrevivência. As comunidades tradicionais são seres humanos como nós e
necessitam dos recursos para sobrevivência, é preciso conscientizá-los sobre a
importância de suas atitudes para conservação ou degradação do ambiente.
Precisamos tratá-los com respeito e dignidade mas sem criar um falso mito de
que não são capazes de destruir.

